Identidade espacial para uma feira de design e artesanato na OCA
Desde o início dos anos 2000, a Feira Paralela se consolidou como um evento que reúne nomes estabelecidos e em ascensão do design e do artesanato brasileiro.
Na sua 34ª edição, realizada na Oca — Pavilhão Lucas Nogueira Garcez — fomos convidados a desenvolver uma identidade visual e espacial para a feira, capaz de criar uma experiência coesa e memorável para expositores e visitantes, mesmo diante da grande diversidade de linguagens, escalas e formatos presentes no evento.
O sucesso dessa primeira edição deu continuidade à parceria, que se estendeu também para as edições 35 e 36.
Partimos do entendimento de que uma feira é, por natureza, um sistema em constante transformação. Expositores entram e saem, layouts são ajustados até os últimos dias — às vezes horas — antes da abertura.
Diante desse cenário, buscamos uma solução que não dependesse de um controle rígido, mas que fosse capaz de absorver essa instabilidade como parte do projeto.
A estratégia foi utilizar os próprios suportes expositivos — as estruturas que conformam os estandes — como elemento central da identidade da feira.
Em vez de revesti-los com painéis expográficos, optamos por assumir sua materialidade aparente. Essa decisão trouxe não apenas uma linguagem visual mais direta e honesta, mas também ganhos práticos importantes:
redução de tempo de montagem, maior flexibilidade para ajustes de última hora e diminuição de riscos durante a execução.
Ao longo das três edições, também fomos responsáveis por organizar a ocupação do espaço da Oca, buscando um equilíbrio delicado entre eficiência comercial e qualidade espacial.
Por um lado, era necessário otimizar a área expositiva, garantindo a viabilidade do evento. Por outro, era fundamental preservar a legibilidade do espaço, com corredores generosos e áreas de respiro que permitissem uma fruição mais confortável e qualificada das peças expostas.
O resultado foi uma feira que, mesmo dentro de um contexto essencialmente comercial, conseguia oferecer uma experiência mais fluida, clara e convidativa — onde a diversidade não se tornava ruído, mas parte de uma narrativa comum.
Identidade Espacial/ Projeto Expográfico: Bruno Kim
Identidade Visual: oitentaedois
Fotografia: oitentaedois